sábado, 19 de novembro de 2016

SUPLEMENTOS ALIMENTARES: PORQUE QUASE TODOS NÃO FUNCIONAM (COMO A INDÚSTRIA TE ENGANA)



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Diversas pessoas contestam as postagens do blog, pois usam os suplementos e percebem efeitos na prática. Essa postagem é dedicada a essas pessoas. E mais um aviso: O blog não possui lucro algum, e estamos sempre comprometidos com a verdade, ou a realidade mais próxima dela. E a indústria, na maioria das vezes, visa o seu lucro. Acreditar em propagandas ou em artigos científicos? Eis a questão. Abaixo listarei uma série de fatores que influenciam nos efeitos dos suplementos que a ciência não consegue provar que existem (mas a indústria, somente em suas propagandas, sim):

EFEITO PLACEBO

O efeito placebo, que nada mais é do que um efeito positivo como melhora no perfil de alguma doença, situação de saúde, fisiológica, ou até mesmo casos de cura, causado por um uso de uma substancia sem efeito algum, por exemplo, uma pílula de farinha.  Ele atua principalmente em doenças que envolvem dor, náuseas e certas situações psicológicas, como indisposição, depressão, nervosismo. Talvez esse seja um dos maiores motivos para que os suplementos sejam usados, já que as empresas sabem que, mesmo que o suplemento não cause um efeito positivo, ou placebo, como ele é apenas um alimento, (suplementos alimentares não são medicamentos) poucos males podem causar. E o investimento em propagandas dos suplementos, é, obviamente, bem maior do que nas pesquisas para saber se eles são superiores a um placebo (na maioria esmagadora das vezes não são superiores). Mas, mesmo estes produtos promovendo um efeito placebo, não são uma boa opção, seja por que, o efeito placebo não é muito relevante na maior parte dos casos, ou por não funcionar em todos os casos, e paga-se muito caro por isso. Fora o fato de estar sendo enganado como consumidor, apenas gerando lucro às empresas. Nota: Muitas pessoas com sérias doenças podem estar usando tratamentos ou procedimentos sem comprovação científica e estar pondo em risco sua vida e saúde. Estejam atentos a isso!

Sobre este efeito é importante ressaltar:
·         O efeito placebo ocorre mesmo se o paciente souber que está a usar um placebo.
·         Cirurgias também funcionam como placebo.
·         Cor, tamanho, quantidade de vezes que se usa um comprimido, podem aumentar o efeito placebo.


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Muitas pessoas que vieram ao blog e comentaram que usavam algum suplemento e sentiram efeitos positivos na pratica, e garantem: NÃO É EFEITO PLACEBO!!EU SENTI ISSO NA PRATICA! Por que eu não acredito nesse argumento? Simples, explico abaixo:

Como uma pessoa, que compra o suplemento para uso próprio, já sabendo a indicação,  sendo extremamente influenciado pela propaganda da empresa,  internet, ou por que um amigo disse que o produto é maravilhoso,  vai conseguir avaliar se é ou não efeito placebo?

Pensem por essa lógica. A pessoa já usa o produto com a influência de que ele irá fazer bem. Os poderes da indução desses fatores tornam o efeito placebo muito mais fácil de ocorrer nessas situações. E o que os estudos científicos fazem? JUSTAMENTE, TENTAM ELIMINAR ESSE ERRO!Geralmente os estudos são ditos DUPLO CEGO, ou seja, o paciente não sabe o que está tomando, e nem o pesquisador que entrega o comprimido, também não sabe, se ele é placebo ou o tratamento a ser avaliado. Apenas um pesquisador, que coordena o estudo saberá qual grupo irá tomar placebo, ou o tratamento. Por aí vocês percebem qual a diferença entre tomar NA PRATICA EM CASA e tomar na pratica do estudo (sim porque o estudo é na pratica também, para os que acham que não). Como ninguém sabe o que está tomando, fica muito mais fácil saber se é efeito placebo ou não.


www.naopossoevitar.com.br/

http://revistavivasaude.uol.com.br/upload/imagens_upload/placebo_1.jpg


Muitas pessoas também confundem certas praticas com efeito placebo. Nem sempre ele é o responsável. Seguem alguns bons exemplos:

Suplementos para emagrecer: São um dos tipos de suplementos mais usados. Mas geralmente quem os usam, são pessoas que, ao mesmo tempo que os tomam, fazem dieta adequada, exercícios físicos  e começam a dormir bem. Tudo isso, influencia muito mais para a perda de peso do que tomar o suplemento, propriamente dito. Sem ele o resultado seria praticamente o mesmo. Não é a toa que não conheço nenhum suplemento alimentar efetivo para perda de peso. A cafeína até pode ajudar teoricamente nisso,assim como alguns outros termogênicos, mas a perda de peso é tão insignificante, que é desprezível.

Vitaminas para ganho de peso: Vitaminas não engordam e nem possuem calorias. Em casos de deficiência de algumas delas, como as do complexo B, o apetite pode ser comprometido, e, por isso, algumas pessoas ao usarem produtos contendo vitamina B, como complexo B ou levedo de cerveja, tendem a restaurar o apetite, e com isso acabam comendo mais, consequentemente ganhando peso. Veja bem, caro leitor, não é a vitamina B que faz o indivíduo ganhar peso, necessariamente. Pessoas com níveis normais de vitamina B não irão ganhar peso pelo uso dessas substancias, pois, muito provavelmente seu apetite não será alterado. Inclusive o levedo de cerveja é usado para emagrecimento. Totalmente contraditório à propaganda do produto para ganho de peso e massa muscular. Na prática dos estudos, o levedo se sai mal, tanto para ganho como para perda de peso. Nota: existem complexos vitamínicos que contém MEDICAMENTOS estimulantes do apetite. Nesses casos, eles são os responsáveis pelo ganho de peso.

Adulteração de suplementos: Sim. Existem produtos contaminados no mercado, seja por hormônios, como, por exemplo, os anabolizantes, para ganho de massa, ou por medicamentos como a sibutramina, que gera emagrecimento. Isso é bem lógico: Se os suplementos realmente funcionassem, por quais motivos as empresas iriam tentar adulterá-los? Pense nisso. Existe uma matéria inteira sobre isso no blog:

Sugestão: Documentário sobre placebo: https://www.youtube.com/watch?v=4Zb5y9FngHw


METODOLOGIAS DUVIDOSAS,  E OUTROS PROBLEMAS DE ARTIGOS QUE CONFIRMAM QUE O PRODUTO FUNCIONA, MAS NEM SEMPRE ISSO É VERDADE


Nem sempre o artigo que diz que o suplemento funciona é valido. Existem artigos bons e ruins. Às vezes eles podem ter resultados iguais, ou totalmente contrários. Vejamos o que pode influenciar em uma pesquisa:
  • O tempo curto em que as pesquisas foram feitas: Muitos efeitos prometidos por suplementos são difíceis de resolver, até mesmo com uso de medicamento, hormônios, etc. Eles podem levar muito tempo para ter efetividade no organismo. E o que vemos em pesquisas com suplementos? Estudos feitos em poucos dias, semanas ou um mês. Raramente se vêem estudos que duram meses. Isso compromete muitos resultados.
  • O investimento da indústria pesquisas: Esse fator é bem óbvio. Geralmente, quando se usam suplementos de marca, ou quando a indústria financia o estudo, ele possuirá resultados favoráveis ao produto pesquisado. Estudos financiados podem ser TOTALMENTE tendenciosos. Há conflito de interesses claros. Um bom exemplo é o caso do ZMA:
  • Estudos feitos em animais: Não podemos tomar como verdade absoluta estudos feitos em animais. Existem diferenças fisiológicas que impedem que o efeito seja o mesmo, e nem sempre se pode extrapolar os resultados aos seres humanos.
  • Pequeno número de participantes: Outro grande problema dos estudos sobre suplementos. Geralmente são feitos com 20, 30 pessoas. Raramente chegam perto de 100 indivíduos. Estudos precisam ter uma amostra bastante significativa. Existem estudos com mais de 5, 10 mil pessoas, por exemplo. Mas, por que isso é importante? Porque existe o efeito placebo e existe o acaso, as coincidências. Sabe aquela história de que: Ah, mas fulana usou isso e deu certo. Pois é. Mas não é porque fulana disse isso, vai ser verdade. Pode ter dado certo por simples acaso. E quanto mais pessoas estiverem contidas em um estudo, onde estão sendo observadas e controladas, o efeito do acaso, e também do efeito placebo, tendem a ser menores. Estudos com grandes amostras possuem poder de probabilidade para encontrar diferenças, grandes ou pequenas se elas existirem. Ex: Eleições. Quanto mais eleitores você leva pra uma pesquisa, menor o erro e mais perto da realidade de saber quem é o candidato eleito você terá. 
  • Publicações em revistas não confiáveis: Muitos artigos que induzem as pessoas a acreditarem que os suplementos funcionam são publicados em revistas não especializadas e que não possuem relevância alguma no meio acadêmico.
  • Reprodutibilidade do estudo: Para termos certeza de algo que foi publicado num artigo é certo, temos que ver outros artigos, feitos por outras pessoas, e constatar se aquele resultado é reprodutível ou não. No caso de suplementos, o que mais vemos são estudos com resultados contraditórios. E coincidentemente, ou não, os estudos positivos geralmente são os patrocinados, ou publicados em revistas ruins.
  • Escolha aleatória de pacientes ou randomização: Isso é de extrema importância, e praticamente quase nenhum estudo sobre suplemento faz. Explico. Vamos supor que uma substância x tenha efeitos somente no sexo masculino. E o estudo não escolhe aleatoriamente, ou seja, não randomiza as pessoas que entrarão na pesquisa, e aí só entram homens na mesma que irá testar o produto x. O produto irá funcionar na pesquisa, mas, vocês acham mesmo que quando o produto for vendido, eles irão indicar apenas em homens? Óbvio que não. Outro ex: Uma pesquisa feita em outra substancia y, dessa vez para curar infecção. Vamos supor que o pesquisador, tendenciosamente, escolha para o grupo placebo pessoas com casos mais graves, e para grupo da substância y casos mais leves. O fato de não randomizar pode influenciar nesse resultado. Daí a importância de escolher aleatoriamente, para que ambos os grupos, tenham características semelhantes.
  • Tipos de estudos: Imagem abaixo lista do melhor (topo da pirâmide) até os piores tipos de estudos (base da pirâmide):
http://fitciencia.com/wp-content/uploads/2016/03/evidencia.png



Enfim, existem diversos pontos a serem criticados a depender de cada artigo. Cada um possui sua particularidade além dos acima citados, e cabe discuti-los quando cada artigo é exposto em particular, assim como fizemos na postagem do tribulus terrestris http://farmacotrofia.blogspot.com.br/2012/12/tribulus-terrestris-funciona-ou-nao.html

Alguns leitores podem pensar: Ah, mas a ciência nem sempre está certa. Às vezes ela mesmo se contradiz. Não. A ciência evolui, e com isso alguns conceitos, antes mal pesquisados, hoje, podem ser mais elucidados, e por vezes, geram resultados que são contrários a pesquisas antigas e ultrapassadas. A ciência não pára. A Cada dia surgem novas pesquisas, com novas metodologias e melhor qualidade. E se com isso, algum suplemento dito aqui que não funciona, vier a ter seu efeito comprovado, voltaremos à postagem e nos retrataremos, assim como todo bom pesquisador faz.

 Obrigado por ler o farmacotrofia. Sinta-se à vontade para perguntar, elogiar ou criticar o blog nos comentários!!

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